Discurso de formatura Pedagogia 2010
“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já têm a Forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia…
e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.”
(Fernando Pessoa)
Sabemos que é “cult” citar Paulo Freire (dá impressão de educação engajada, dá ao orador um ar de educador ativista) e nós deveríamos citá-lo, é bem verdade, mas achamos que Pessoa tem muito a nos ensinar. Muito mais do que costumeiramente imaginamos. A educação não se faz apenas com teoria, engajamento político, práticas inovadoras, mas também com poesia. Paulo Freire incluiria aqui amor.
Em 2006, quando aqui chegamos, buscávamos novos rumos para nossas vidas. Alguns almejavam sua primeira graduação, aquela que lhes daria a libertação ou as asas que desejavam ter. Outros vinham para a segunda faculdade buscando novos rumos para a carreira, desiludidos com sua situação momentânea. Havia também aqueles que estavam iniciando a terceira, mas ainda não haviam terminado a primeira. Gente de todos os tipos, uma massa heterogênea. Cada um com suas razões, com seus pontos de vista, com suas idéias pré-concebidas, mas mais que isso: com sua força de vontade e anseio de abandonar as roupas usadas.
Acreditamos que fomos felizes nessa jornada. Apesar de que nem todos os que começaram concluíram. Quem conseguiu chegar aqui hoje provou que de fato a vontade de fazer a travessia superou todas as barreiras.
Não foi um caminho fácil de se trilhar, é importante que se diga. Houve espinhos, sob a forma de projetos e práticas pedagógicas, artigos complicados, “estatística”. Sim, de fato não foi “fácil demais”. Mas superamos. Os mesmos projetos que nos deixavam de cabelo em pé transformaram-se em alegria. Viraram belas fotos que ilustraram nossas socializações. E todos nós aprendemos muito com isso. Uns com os outros. Unidos. Amigos. Aliás, esse é outro aspecto dessa travessia que Pessoa nos fala.
Conhecemos pessoas novas, fizemos novas amizades. Algumas talvez estejam se encerrando agora. Seria demais querer que todos ficassem “unha e carne” até o fim dos dias. Algumas amizades daqui por diante vão se resumir a um recadinho no orkut, um e-mail respondido com carinho e nostalgia, um bom dia efusivo no supermercado, quem sabe até um convite pra alguma balada? Mas depois, com o correr dos anos, os e-mails vão rarear, os telefonemas também e o que sobrará serão apenas os retratos, os bons momentos que passamos juntos.
Quem sabe um dia uma netinha revirando nossos armários encontre uma foto dessa noite? Depois de rir um pouco dos nossos “modelitos” ultrapassados ela vai perguntar: quem são esses? Pode ser que seja só ali que vamos de fato parar e refletir sobre esses anos. Refletir no bem que fizemos uns aos outros, em como foi gostoso esse tempo. E como foi curto também. (pausa)
Bom, mas deixe que o futuro nos torne introspectivos. Hoje mais do que melancólicos, queremos ficar alegres e comemorar. Afinal de contas, fizemos a travessia. Já não ficaremos para sempre à margem de nós mesmos e da sociedade. A margem nenhuma. Estamos sim, é bem no centro.
Professores. Educadores. Quanta responsabilidade hein?! Em 2006 nem todos tínhamos experiência em sala de aula. Nós mesmos da Comissão de Formatura só havíamos entrado em uma como alunos. Mas agora, não há nenhum de nós que nunca tenha tido esse momento maior de mestre. Aprendemos e agora vamos ensinar. Sabemos que é um lugar comum dizer que o futuro se constrói com educação, mas vamos repetir isso. Nossa profissão não teria sentido se não acreditássemos de fato nisso: O futuro se constrói com educação. E esta vai além dos livros e daquilo que o governo deveria fazer, e nem sempre faz. Educação vai além do salário. Educação é paixão, é poesia. E como já dissemos, excede a relação teoria e prática.
Concluímos o primeiro estágio de nossa formação acadêmica. Fizemos uma bela travessia. Mas isso só nos deu a teoria. A prática vem com o passar do tempo. Convivendo diariamente com as turmas de educação infantil, fundamental e EJA da vida, com os “terceirões” em nossas escolas, enfim... A prática vem com o passar do tempo, com calma, sem pressa. Podemos nos dar a esse luxo, ou pelo menos nessa noite. A responsabilidade que pesa sobre nossos ombros só não é maior do que a beleza da função que desempenhamos.
Ser legal para nossos alunos é um prazer. Sim, parece pouco, mas nós, professores, precisamos aprender a nos contentar com esse “pouco”. Não vamos esperar que o governo nos elogie, que a direção nos homenageie... nada disso. Nossa fonte maior de recompensa deve ser o aluno. Precisamos ficar felizes com o seu aprendizado, já que foi essa a profissão que escolhemos.
Devemos agradecer a todos aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui. E a nós, formandos, um último detalhe: essa travessia que fizemos juntos não foi a última. Ainda queremos ouvir noticias de vocês em cursos de mestrado e tudo o mais que sabemos que podemos! Como diria Obama: YES, WE CAN! E lembrem-se das palavras de Churchill: “Nunca, nunca, nunca desistam!”. Sucesso a todos e obrigada.
abandonar as roupas usadas,
que já têm a Forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia…
e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.”
(Fernando Pessoa)
Sabemos que é “cult” citar Paulo Freire (dá impressão de educação engajada, dá ao orador um ar de educador ativista) e nós deveríamos citá-lo, é bem verdade, mas achamos que Pessoa tem muito a nos ensinar. Muito mais do que costumeiramente imaginamos. A educação não se faz apenas com teoria, engajamento político, práticas inovadoras, mas também com poesia. Paulo Freire incluiria aqui amor.
Em 2006, quando aqui chegamos, buscávamos novos rumos para nossas vidas. Alguns almejavam sua primeira graduação, aquela que lhes daria a libertação ou as asas que desejavam ter. Outros vinham para a segunda faculdade buscando novos rumos para a carreira, desiludidos com sua situação momentânea. Havia também aqueles que estavam iniciando a terceira, mas ainda não haviam terminado a primeira. Gente de todos os tipos, uma massa heterogênea. Cada um com suas razões, com seus pontos de vista, com suas idéias pré-concebidas, mas mais que isso: com sua força de vontade e anseio de abandonar as roupas usadas.
Acreditamos que fomos felizes nessa jornada. Apesar de que nem todos os que começaram concluíram. Quem conseguiu chegar aqui hoje provou que de fato a vontade de fazer a travessia superou todas as barreiras.
Não foi um caminho fácil de se trilhar, é importante que se diga. Houve espinhos, sob a forma de projetos e práticas pedagógicas, artigos complicados, “estatística”. Sim, de fato não foi “fácil demais”. Mas superamos. Os mesmos projetos que nos deixavam de cabelo em pé transformaram-se em alegria. Viraram belas fotos que ilustraram nossas socializações. E todos nós aprendemos muito com isso. Uns com os outros. Unidos. Amigos. Aliás, esse é outro aspecto dessa travessia que Pessoa nos fala.
Conhecemos pessoas novas, fizemos novas amizades. Algumas talvez estejam se encerrando agora. Seria demais querer que todos ficassem “unha e carne” até o fim dos dias. Algumas amizades daqui por diante vão se resumir a um recadinho no orkut, um e-mail respondido com carinho e nostalgia, um bom dia efusivo no supermercado, quem sabe até um convite pra alguma balada? Mas depois, com o correr dos anos, os e-mails vão rarear, os telefonemas também e o que sobrará serão apenas os retratos, os bons momentos que passamos juntos.
Quem sabe um dia uma netinha revirando nossos armários encontre uma foto dessa noite? Depois de rir um pouco dos nossos “modelitos” ultrapassados ela vai perguntar: quem são esses? Pode ser que seja só ali que vamos de fato parar e refletir sobre esses anos. Refletir no bem que fizemos uns aos outros, em como foi gostoso esse tempo. E como foi curto também. (pausa)
Bom, mas deixe que o futuro nos torne introspectivos. Hoje mais do que melancólicos, queremos ficar alegres e comemorar. Afinal de contas, fizemos a travessia. Já não ficaremos para sempre à margem de nós mesmos e da sociedade. A margem nenhuma. Estamos sim, é bem no centro.
Professores. Educadores. Quanta responsabilidade hein?! Em 2006 nem todos tínhamos experiência em sala de aula. Nós mesmos da Comissão de Formatura só havíamos entrado em uma como alunos. Mas agora, não há nenhum de nós que nunca tenha tido esse momento maior de mestre. Aprendemos e agora vamos ensinar. Sabemos que é um lugar comum dizer que o futuro se constrói com educação, mas vamos repetir isso. Nossa profissão não teria sentido se não acreditássemos de fato nisso: O futuro se constrói com educação. E esta vai além dos livros e daquilo que o governo deveria fazer, e nem sempre faz. Educação vai além do salário. Educação é paixão, é poesia. E como já dissemos, excede a relação teoria e prática.
Concluímos o primeiro estágio de nossa formação acadêmica. Fizemos uma bela travessia. Mas isso só nos deu a teoria. A prática vem com o passar do tempo. Convivendo diariamente com as turmas de educação infantil, fundamental e EJA da vida, com os “terceirões” em nossas escolas, enfim... A prática vem com o passar do tempo, com calma, sem pressa. Podemos nos dar a esse luxo, ou pelo menos nessa noite. A responsabilidade que pesa sobre nossos ombros só não é maior do que a beleza da função que desempenhamos.
Ser legal para nossos alunos é um prazer. Sim, parece pouco, mas nós, professores, precisamos aprender a nos contentar com esse “pouco”. Não vamos esperar que o governo nos elogie, que a direção nos homenageie... nada disso. Nossa fonte maior de recompensa deve ser o aluno. Precisamos ficar felizes com o seu aprendizado, já que foi essa a profissão que escolhemos.
Devemos agradecer a todos aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui. E a nós, formandos, um último detalhe: essa travessia que fizemos juntos não foi a última. Ainda queremos ouvir noticias de vocês em cursos de mestrado e tudo o mais que sabemos que podemos! Como diria Obama: YES, WE CAN! E lembrem-se das palavras de Churchill: “Nunca, nunca, nunca desistam!”. Sucesso a todos e obrigada.
Lindo lindo lindoooooo!!!
ResponderExcluirnossa!! amei este discurso!! estou fazendo um e com certeza este vai me ajudar !!
ResponderExcluirParabéns, só de ler me emocionei,estou prepando um discurso e com certeza suas palavras me abrirão a mente ,para que possa tocar o coração de todos os presentes, assim como vc tocou o meu.
ResponderExcluirObrigado